Jamais pensei ser possível escrever, ou mesmo chegar a qualquer conclusão, sobre algo tão profundo, distante, pesado e grande como o perdão, tendo ainda pouca experiência sobre a vida, as pessoas, os relacionamentos e os corações partidos. O perdão verdadeiro, puro e límpido, que eleva o valor de todo e qualquer ser, me dói não conseguir permitir que exista dentro de mim. Por isso, me diminui, me torna mais fraca do que eu pensava ser.
Na inocência de quem sempre foi criada com “excesso de mel e a dose certa de sal”, acreditava que o perdão deveria ser dado para pessoas arrependidas de coração, que estivessem dispostas a fazer qualquer coisa para se redimirem do seu erro. Mas, infelizmente, tenho aprendido que o verdadeiro perdão, o mais altruísta e forte, é aquele que damos em silêncio, sem cobrarmos nada por ele. Sem esperar redenção,mudança, palavras, flores, surpresas. É ver o seu coração sangrando, e conseguir olhar quem te magoou da mesma forma que antes, enxergar suas qualidades e, o mais difícil de tudo, confiar da mesma forma. Ouvir qualquer frase e não só entendê-la,mas senti-la verdadeira, sem nenhuma dúvida. Este perdão eu não consigo dar.Soa-me como desvalorização, e não como perdão, entregar-me a tão nobre gesto enquanto o principal beneficiário não se mostra interessado nisto. O valor que as pessoas nos dão, somos nós que impomos. E isso seria o mesmo que anular todas as minhas qualidades e colocar alguém que me magoou acima de mim. Não sei se é certo fazê-lo, ou , no mínimo, tentar fazê-lo, mas, se for, acho que não sou capaz.
“Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que nunca tê-lo tido”, Khaled Hosseini. E eu tive tudo em mãos: a alegria que nem imaginava poder ter, a confiança que veio tão de graça, o orgulho de ter ao meu lado alguém tão capaz de dedicar-se à minha felicidade, a sutileza dos primeiros toques. Os abraços e beijos sinceros, as palavras e carinhos que eu, inclusive, dispensava, mas que vieram sempre. Mas, de alguma forma, tudo se foi. Aprendi a minha vida toda que a verdade deve ser dita. Eu a disse então, crendo que o fato de dizê-la seria o bastante para que não me tivessem querido mal. Acreditei no reconhecimento de alguém que dizia amar-me. Não bastou. Além disso, procurei avisá-lo antes mesmo de errar, para que não esperasse nada de mim, pois estava confusa o bastante para não assumir laço algum com quem quer que fosse. E mesmo assim, fui julgada e, de alguma forma, condenada.
Tentar mais pode ser visto como coragem, mas, às vezes, parece-me covardia.
Amar é infinitamente belo e enobrecedor, mas não acredito que se deva passar por cima de tanto sofrimento pelo amor, (apesar de o estar fazendo) pois , para mim, o amor não machuca, não fere, não causa tormentos como este.
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