segunda-feira, 2 de maio de 2011

Poeminha bobo

Se você for o mar
Diga-me agora
Pois, assim como ele
Você não se demora
Vem e alegra meu dia
E depois vai-se embora
Me deixa em agonia
De esperar sempre a hora
De vê-lo chegar

Se você for o céu
Pode até me dizer
Pois eu terei razões
Para crer em você
Quando quer, ilumina
Quando quer, me encanta
Se quiser, se esconde
E a lua nem se levanta
Mas eu fico a observar

Se você for o sol
Poderei entender
Porquê me aqueço
Simplesmente ao te ver
Pois assim como o mar
Que tem calma e tem fúria
E assim como o céu
Que tem sombra e tem lua
Você é como o sol
Que atrai com a luminescência
Você deixa mais turva
A minha consciência

Mas eu já procurei
E você não está
Nem no sol, nem no céu
E nem mesmo no mar

Se você for amor
Trate de chegar logo
Pois o tempo não pára
Mas os dias são longos
Pois a força e a fé
Elas hão de chegar
Junto com você
Neste seu caminhar

Se quiser, aproveite
Que o tempo está aberto
Se quiser, aproveite
Que tudo estará certo
Se quiser, aproveite
Quero tê-lo por perto (:

Andanças

Se me pareço com a maioria das pessoas que conheço, sei que grande parte do nosso sofrimento advém da culpa que sentimos por sofrer. Das frases que ouço sobre a vida, quase todas a definem como algo extremamente curto, quase como um sopro ou um clarão. Essa história de “carpe diem” nos faz sofrer duplamente, pois muitas vezes nos encontramos diante de situações que não podemos modificar ou com as quais não conseguimos lidar, e tudo o que pensamos é: “Não posso perder minha vida pensando nisso”, “o tempo é curto e eu não posso perdê-lo por causa deste problema” ou ainda “está errado perder a direção por apenas isso”.

O que esquecemos, neste momento, é que há tempo para todo propósito, não apenas biblicamente. Há o tempo de tristeza e reclusão. O tempo do silêncio, do caos. A vida realmente é curta para todos os nossos sonhos, mas podemos perder algum tempo. Independentemente de nossa idade, somos jovens. Confundimo-nos, enfraquecemo-nos.

É claro que resignação e comodismo são coisas bem diferentes, mas às vezes precisamos deixar a vida seguir por si mesma, sair de cena, passar por alguma coisa. Pode parecer óbvio, mas durante o desespero, tentamos lutar e muitas vezes somos vencidos pelo medo. Mais certo seria que nos permitíssemos chorar, gritar e acreditar que nosso problema é sim o maior do mundo, e que não há nada de errado com isso. Acreditar que nossa dor não é injusta com as vítimas de guerra, com os doentes terminais ou com as crianças da África. Afinal, se a dor é tão pungente, é porque é verdadeira, e não é competência da razão controlá-la.

Há que existir, para todo mal, a cura. Acredito que a aceitação seja parte do processo. Enquanto batemos de frente com algumas condições impostas, geramos revolta e a mágoa torna-se maior. A partir do momento em que aceitamos o que se passa, parte da dor vai-se embora como mágica. Não digo que devemos aceitar a infelicidade ou deixar que ela se torne um fardo enfadonho que vai levar embora toda a esperança. Digo apenas que a vida é feita de momentos e que tudo estará bem se nem todos eles forem bons ou inspiradores.

Acredito que a maravilha da vida não está no fato de ela ser passageira e muito breve, mas no fato de sua plenitude.

Não deixe que se torne irreversível

Algumas feridas, para serem remediadas, dependem do elemento tempo. Não o tempo-clichê, aquele que ao passar nos deixa em paz, que traz entendimento, serenidade ou mesmo o esquecimento, que na prática é o melhor, mas que tira o aprendizado das experiências. Martha Medeiros diz que o tempo não cura nada, que ele apenas tira o incurável do centro das atenções. Não é a este tempo que me refiro.

O remédio para muitas de nossas dores depende do tempo no sentido de que algumas atitudes precisam de serem tomadas naquele exato momento. Quando se desrespeita o princípio causa-consequência, deparamo-nos com uma frustração imensa em relação à pessoa que nos magoou e a nós mesmos.

Para recuperar o que foi perdido, reparar o dano, é preciso de cuidado, presença e sobretudo, jeito, mas isso precisa acontecer logo após a invasão de nossas vidas por uma estranheza e certa hostilidade no lugar do amor. Se deixarmos que passe muito tempo (cronológico), o que vai acontecer é simplesmente aprendermos a viver sem carinho, porque, de fato, sabemos que o ser humano se acostuma a quase todas as condições que lhe são impostas.

O que tento dizer é que depois de uma decepção quase que completamente ignorada pelo outro (apesar de ter sido informado), aprendemos a não esperar nada de ninguém, e essa falta de expectativas que, para muitos, é o segredo da felicidade, para mim é onde acaba o sentido da vida, pois o que move o ser humano é a esperança, é acreditar em alguém ou em alguma coisa. Essa falta de expectativas entendo como a definição de “felicidade barata” de Machado de Assis, que nos diz para comprarmos um sapato menor que os nossos pés para sentirmos alívio ao tirá-lo.

Não sei se me perdi do objetivo principal, mas este texto foi criado com a única intenção de dizer (talvez a um alguém que, se existir, jamais vai lê-lo) que o cuidado torna-se dispensável depois de o termos esperado sangrando em vão. Depois que se perde a graça, o desespero, o impulso para lutar por qualquer coisa, depois de termos nos tornado serenos sombrios, sozinhos, aquilo por que tanto esperamos já não importa, não faz diferença, porque também as necessidades mudam.

Depois de tanto tempo, o voltar-atrás, o pedir perdão, o próprio mudar passam à finalidade apenas de consolidar nossa serenidade, sendo um reconhecimento de que a razão estava conosco o tempo todo, o que será sempre bem vindo, mas não poderá ser cura para mais nada.

Enfim, somente sentindo os efeitos do passar do tempo (cronológico), é possível desenvolver com clareza as idéias, pois, embora ainda doa lembrar, já não paralisa.

Sobre o perdão

Jamais pensei ser possível escrever, ou mesmo chegar a qualquer conclusão, sobre algo tão profundo, distante, pesado e grande como o perdão, tendo ainda pouca experiência sobre a vida, as pessoas, os relacionamentos e os corações partidos. O perdão verdadeiro, puro e límpido, que eleva o valor de todo e qualquer ser, me dói não conseguir permitir que exista dentro de mim. Por isso, me diminui, me torna mais fraca do que eu pensava ser.

Na inocência de quem sempre foi criada com “excesso de mel e a dose certa de sal”, acreditava que o perdão deveria ser dado para pessoas arrependidas de coração, que estivessem dispostas a fazer qualquer coisa para se redimirem do seu erro. Mas, infelizmente, tenho aprendido que o verdadeiro perdão, o mais altruísta e forte, é aquele que damos em silêncio, sem cobrarmos nada por ele. Sem esperar redenção,mudança, palavras, flores, surpresas. É ver o seu coração sangrando, e conseguir olhar quem te magoou da mesma forma que antes, enxergar suas qualidades e, o mais difícil de tudo, confiar da mesma forma. Ouvir qualquer frase e não só entendê-la,mas senti-la verdadeira, sem nenhuma dúvida. Este perdão eu não consigo dar.Soa-me como desvalorização, e não como perdão, entregar-me a tão nobre gesto enquanto o principal beneficiário não se mostra interessado nisto. O valor que as pessoas nos dão, somos nós que impomos. E isso seria o mesmo que anular todas as minhas qualidades e colocar alguém que me magoou acima de mim. Não sei se é certo fazê-lo, ou , no mínimo, tentar fazê-lo, mas, se for, acho que não sou capaz.

“Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que nunca tê-lo tido”, Khaled Hosseini. E eu tive tudo em mãos: a alegria que nem imaginava poder ter, a confiança que veio tão de graça, o orgulho de ter ao meu lado alguém tão capaz de dedicar-se à minha felicidade, a sutileza dos primeiros toques. Os abraços e beijos sinceros, as palavras e carinhos que eu, inclusive, dispensava, mas que vieram sempre. Mas, de alguma forma, tudo se foi. Aprendi a minha vida toda que a verdade deve ser dita. Eu a disse então, crendo que o fato de dizê-la seria o bastante para que não me tivessem querido mal. Acreditei no reconhecimento de alguém que dizia amar-me. Não bastou. Além disso, procurei avisá-lo antes mesmo de errar, para que não esperasse nada de mim, pois estava confusa o bastante para não assumir laço algum com quem quer que fosse. E mesmo assim, fui julgada e, de alguma forma, condenada.

Tentar mais pode ser visto como coragem, mas, às vezes, parece-me covardia.

Amar é infinitamente belo e enobrecedor, mas não acredito que se deva passar por cima de tanto sofrimento pelo amor, (apesar de o estar fazendo) pois , para mim, o amor não machuca, não fere, não causa tormentos como este.

Tratado sobre a alma feminina


Inicialmente, este texto se chamaria “Ao desconcerto do mundo”, numa homenagem óbvia ao poema do grandioso Luís de Camões e a toda contradição que nos tortura ao lê-lo.

Minha vontade basta como argumento e embasamento, e não poderá ser criticada minha forma tão própria e imperiosa de ver o mundo, farta de estrógeno e progesterona.

É por isso que eu escolhi escrever sobre a alma feminina: não pode haver um amargo mais doce, ou um simples mais complexo do que a mulher.

Reconheço ser necessária muita sutileza e um bocado de incisão para este tema. Lembrem-se de que esta própria autora é mulher,e não gosta do mais ou menos. Como disse a diva Lispector: ou toca ou não toca.

Hoje, sinto-me mais mulher que antes, embora ainda defenda-me generalizando particularidades e cobre aqueles que não me valorizam pelas minhas idiossincrasias. Acredito que estar convivendo com uma emoção extremamente humana, embora atualmente pareça mais feminina, chamada insegurança, tem me feito crescer. Foi-se o tempo em que tudo ficava sempre no lugar e que todo o esforço era recompensado. Foi-se o tempo em que ter um bom coração era o bastante.

Amar e sentir medo. Não pode existir algo mais normal, mas por que nos deixamos abater com tanta facilidade quando isso acontece? Tenho recebido uma dose alta de realidade e tentado crescer com isso. Não é fácil, mas não vou desistir, afinal de contas, se não desistimos nem do dinheiro, vamos desistir da paz e do amor? Escrever é sempre uma catarse.

Se não percebermos como as coisas são, criadas e alimentadas por uma mídia fantasiosa, corremos o risco de nos envolvermos em histórias dignas de Nelson Rodrigues e, esperando os grandes momentos, perderemos o cotidiano, que é onde a felicidade realmente está.

Trazemos o amor como início, meio e fim, e quem poderá dizer que ele não significa tudo? Não podemos ter o amor como justificativa para tudo, mas a sensatez como valor máximo é um momento histórico. Nem sempre foi errado optar pelo que faz o coração vibrar e a vida ser mais alegre.

Na ausência de carinho e atenção, mergulhamos numa escuridão silenciosa, apesar dos soluços nítidos e olhos vermelhos, que nos rouba a energia. E, quando há uma decepção, por mais carinho e atenção que dispensem a nós, o desespero pode falar mais alto. Nessas horas, percebemos o quanto a vida exige de nós, o quanto precisamos lutar todos os dias, pelo sorriso, pelo perdão, pela paz.

Conheço senhores serenos que, com a sabedorinha de quem viveu e se doou, dizem, cheios de certeza: viver não é fácil, não. Não é fácil para todos, quanto mais para nós, que não estamos muito acostumadas a reclamar para não exigir paciência demais de quem nos acompanha. Somos sensíveis, mas somos fortes. Queremos elogios e carinhos, mas não aceitamos palavras falsas. À isso, preferimos o silêncio. Quilos, promoções, chocolates e cuidados com a beleza servem-nos como medida paliativa, mas sabemos que a solução só chegou quando o coração se acalma. Quando isso acontece, não precisamos de flores, jóias ou presentes. Um “bom dia” sincero e positivo torna-se uma declaração de amor e força e, é só por esses momentos que passamos por cima de muita coisa, sentimos angústia, ansiedade, mas ao conseguirmos de volta esse bem-estar, concluímos com coraçõezinhos saltitantes de meninas, apesar das rugas e dos anos: valeu à pena.