Olho vivo!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Poeminha bobo
Andanças
Se me pareço com a maioria das pessoas que conheço, sei que grande parte do nosso sofrimento advém da culpa que sentimos por sofrer. Das frases que ouço sobre a vida, quase todas a definem como algo extremamente curto, quase como um sopro ou um clarão. Essa história de “carpe diem” nos faz sofrer duplamente, pois muitas vezes nos encontramos diante de situações que não podemos modificar ou com as quais não conseguimos lidar, e tudo o que pensamos é: “Não posso perder minha vida pensando nisso”, “o tempo é curto e eu não posso perdê-lo por causa deste problema” ou ainda “está errado perder a direção por apenas isso”.
O que esquecemos, neste momento, é que há tempo para todo propósito, não apenas biblicamente. Há o tempo de tristeza e reclusão. O tempo do silêncio, do caos. A vida realmente é curta para todos os nossos sonhos, mas podemos perder algum tempo. Independentemente de nossa idade, somos jovens. Confundimo-nos, enfraquecemo-nos.
É claro que resignação e comodismo são coisas bem diferentes, mas às vezes precisamos deixar a vida seguir por si mesma, sair de cena, passar por alguma coisa. Pode parecer óbvio, mas durante o desespero, tentamos lutar e muitas vezes somos vencidos pelo medo. Mais certo seria que nos permitíssemos chorar, gritar e acreditar que nosso problema é sim o maior do mundo, e que não há nada de errado com isso. Acreditar que nossa dor não é injusta com as vítimas de guerra, com os doentes terminais ou com as crianças da África. Afinal, se a dor é tão pungente, é porque é verdadeira, e não é competência da razão controlá-la.
Há que existir, para todo mal, a cura. Acredito que a aceitação seja parte do processo. Enquanto batemos de frente com algumas condições impostas, geramos revolta e a mágoa torna-se maior. A partir do momento em que aceitamos o que se passa, parte da dor vai-se embora como mágica. Não digo que devemos aceitar a infelicidade ou deixar que ela se torne um fardo enfadonho que vai levar embora toda a esperança. Digo apenas que a vida é feita de momentos e que tudo estará bem se nem todos eles forem bons ou inspiradores.
Acredito que a maravilha da vida não está no fato de ela ser passageira e muito breve, mas no fato de sua plenitude.
Não deixe que se torne irreversível
Algumas feridas, para serem remediadas, dependem do elemento tempo. Não o tempo-clichê, aquele que ao passar nos deixa em paz, que traz entendimento, serenidade ou mesmo o esquecimento, que na prática é o melhor, mas que tira o aprendizado das experiências. Martha Medeiros diz que o tempo não cura nada, que ele apenas tira o incurável do centro das atenções. Não é a este tempo que me refiro.
O remédio para muitas de nossas dores depende do tempo no sentido de que algumas atitudes precisam de serem tomadas naquele exato momento. Quando se desrespeita o princípio causa-consequência, deparamo-nos com uma frustração imensa em relação à pessoa que nos magoou e a nós mesmos.
Para recuperar o que foi perdido, reparar o dano, é preciso de cuidado, presença e sobretudo, jeito, mas isso precisa acontecer logo após a invasão de nossas vidas por uma estranheza e certa hostilidade no lugar do amor. Se deixarmos que passe muito tempo (cronológico), o que vai acontecer é simplesmente aprendermos a viver sem carinho, porque, de fato, sabemos que o ser humano se acostuma a quase todas as condições que lhe são impostas.
O que tento dizer é que depois de uma decepção quase que completamente ignorada pelo outro (apesar de ter sido informado), aprendemos a não esperar nada de ninguém, e essa falta de expectativas que, para muitos, é o segredo da felicidade, para mim é onde acaba o sentido da vida, pois o que move o ser humano é a esperança, é acreditar em alguém ou em alguma coisa. Essa falta de expectativas entendo como a definição de “felicidade barata” de Machado de Assis, que nos diz para comprarmos um sapato menor que os nossos pés para sentirmos alívio ao tirá-lo.
Não sei se me perdi do objetivo principal, mas este texto foi criado com a única intenção de dizer (talvez a um alguém que, se existir, jamais vai lê-lo) que o cuidado torna-se dispensável depois de o termos esperado sangrando em vão. Depois que se perde a graça, o desespero, o impulso para lutar por qualquer coisa, depois de termos nos tornado serenos sombrios, sozinhos, aquilo por que tanto esperamos já não importa, não faz diferença, porque também as necessidades mudam.
Depois de tanto tempo, o voltar-atrás, o pedir perdão, o próprio mudar passam à finalidade apenas de consolidar nossa serenidade, sendo um reconhecimento de que a razão estava conosco o tempo todo, o que será sempre bem vindo, mas não poderá ser cura para mais nada.
Enfim, somente sentindo os efeitos do passar do tempo (cronológico), é possível desenvolver com clareza as idéias, pois, embora ainda doa lembrar, já não paralisa.
Sobre o perdão
Jamais pensei ser possível escrever, ou mesmo chegar a qualquer conclusão, sobre algo tão profundo, distante, pesado e grande como o perdão, tendo ainda pouca experiência sobre a vida, as pessoas, os relacionamentos e os corações partidos. O perdão verdadeiro, puro e límpido, que eleva o valor de todo e qualquer ser, me dói não conseguir permitir que exista dentro de mim. Por isso, me diminui, me torna mais fraca do que eu pensava ser.
Na inocência de quem sempre foi criada com “excesso de mel e a dose certa de sal”, acreditava que o perdão deveria ser dado para pessoas arrependidas de coração, que estivessem dispostas a fazer qualquer coisa para se redimirem do seu erro. Mas, infelizmente, tenho aprendido que o verdadeiro perdão, o mais altruísta e forte, é aquele que damos em silêncio, sem cobrarmos nada por ele. Sem esperar redenção,mudança, palavras, flores, surpresas. É ver o seu coração sangrando, e conseguir olhar quem te magoou da mesma forma que antes, enxergar suas qualidades e, o mais difícil de tudo, confiar da mesma forma. Ouvir qualquer frase e não só entendê-la,mas senti-la verdadeira, sem nenhuma dúvida. Este perdão eu não consigo dar.Soa-me como desvalorização, e não como perdão, entregar-me a tão nobre gesto enquanto o principal beneficiário não se mostra interessado nisto. O valor que as pessoas nos dão, somos nós que impomos. E isso seria o mesmo que anular todas as minhas qualidades e colocar alguém que me magoou acima de mim. Não sei se é certo fazê-lo, ou , no mínimo, tentar fazê-lo, mas, se for, acho que não sou capaz.
“Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que nunca tê-lo tido”, Khaled Hosseini. E eu tive tudo em mãos: a alegria que nem imaginava poder ter, a confiança que veio tão de graça, o orgulho de ter ao meu lado alguém tão capaz de dedicar-se à minha felicidade, a sutileza dos primeiros toques. Os abraços e beijos sinceros, as palavras e carinhos que eu, inclusive, dispensava, mas que vieram sempre. Mas, de alguma forma, tudo se foi. Aprendi a minha vida toda que a verdade deve ser dita. Eu a disse então, crendo que o fato de dizê-la seria o bastante para que não me tivessem querido mal. Acreditei no reconhecimento de alguém que dizia amar-me. Não bastou. Além disso, procurei avisá-lo antes mesmo de errar, para que não esperasse nada de mim, pois estava confusa o bastante para não assumir laço algum com quem quer que fosse. E mesmo assim, fui julgada e, de alguma forma, condenada.
Tentar mais pode ser visto como coragem, mas, às vezes, parece-me covardia.
Amar é infinitamente belo e enobrecedor, mas não acredito que se deva passar por cima de tanto sofrimento pelo amor, (apesar de o estar fazendo) pois , para mim, o amor não machuca, não fere, não causa tormentos como este.
Tratado sobre a alma feminina
Inicialmente, este texto se chamaria “Ao desconcerto do mundo”, numa homenagem óbvia ao poema do grandioso Luís de Camões e a toda contradição que nos tortura ao lê-lo.
Minha vontade basta como argumento e embasamento, e não poderá ser criticada minha forma tão própria e imperiosa de ver o mundo, farta de estrógeno e progesterona.
É por isso que eu escolhi escrever sobre a alma feminina: não pode haver um amargo mais doce, ou um simples mais complexo do que a mulher.
Reconheço ser necessária muita sutileza e um bocado de incisão para este tema. Lembrem-se de que esta própria autora é mulher,e não gosta do mais ou menos. Como disse a diva Lispector: ou toca ou não toca.
Hoje, sinto-me mais mulher que antes, embora ainda defenda-me generalizando particularidades e cobre aqueles que não me valorizam pelas minhas idiossincrasias. Acredito que estar convivendo com uma emoção extremamente humana, embora atualmente pareça mais feminina, chamada insegurança, tem me feito crescer. Foi-se o tempo em que tudo ficava sempre no lugar e que todo o esforço era recompensado. Foi-se o tempo em que ter um bom coração era o bastante.
Amar e sentir medo. Não pode existir algo mais normal, mas por que nos deixamos abater com tanta facilidade quando isso acontece? Tenho recebido uma dose alta de realidade e tentado crescer com isso. Não é fácil, mas não vou desistir, afinal de contas, se não desistimos nem do dinheiro, vamos desistir da paz e do amor? Escrever é sempre uma catarse.
Se não percebermos como as coisas são, criadas e alimentadas por uma mídia fantasiosa, corremos o risco de nos envolvermos em histórias dignas de Nelson Rodrigues e, esperando os grandes momentos, perderemos o cotidiano, que é onde a felicidade realmente está.
Trazemos o amor como início, meio e fim, e quem poderá dizer que ele não significa tudo? Não podemos ter o amor como justificativa para tudo, mas a sensatez como valor máximo é um momento histórico. Nem sempre foi errado optar pelo que faz o coração vibrar e a vida ser mais alegre.
Na ausência de carinho e atenção, mergulhamos numa escuridão silenciosa, apesar dos soluços nítidos e olhos vermelhos, que nos rouba a energia. E, quando há uma decepção, por mais carinho e atenção que dispensem a nós, o desespero pode falar mais alto. Nessas horas, percebemos o quanto a vida exige de nós, o quanto precisamos lutar todos os dias, pelo sorriso, pelo perdão, pela paz.
Conheço senhores serenos que, com a sabedorinha de quem viveu e se doou, dizem, cheios de certeza: viver não é fácil, não. Não é fácil para todos, quanto mais para nós, que não estamos muito acostumadas a reclamar para não exigir paciência demais de quem nos acompanha. Somos sensíveis, mas somos fortes. Queremos elogios e carinhos, mas não aceitamos palavras falsas. À isso, preferimos o silêncio. Quilos, promoções, chocolates e cuidados com a beleza servem-nos como medida paliativa, mas sabemos que a solução só chegou quando o coração se acalma. Quando isso acontece, não precisamos de flores, jóias ou presentes. Um “bom dia” sincero e positivo torna-se uma declaração de amor e força e, é só por esses momentos que passamos por cima de muita coisa, sentimos angústia, ansiedade, mas ao conseguirmos de volta esse bem-estar, concluímos com coraçõezinhos saltitantes de meninas, apesar das rugas e dos anos: valeu à pena.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Com o tempo,a dor ou a vida?Seja como for, aprenderemos
...que cumplicidade não é conivência e por isso é tão difícil encontrar amigos tão bons quanto seus pais.
...que é fácil acertar quando não se conhece a facilidade do caminho errado.
...que beleza é suborno e que atração nem sempre é afinidade.
...que o silêncio é fácil quando não se tem que ver alguém amado ir embora.
...que despedidas doem para quem fica como se fossem novos começos apenas para quem está indo.
...que perdemos muito tempo justificando que as fases não são as mesmas ou que tomamos caminhos diferentes para não termos que enfrentar a força, seja ela negativa ou positiva, do amor sobre nossa imaturidade.
...que a agonia do não saber pode ser bem pior que as lágrimas de um perdedor, em todos os sentidos possíveis.
...que é fácil se apaixonar antes de ter amado alguém.
...que as marcas de uma experiência que doeu muito serão úteis para protegê-lo de outras dores, mas depois de um tempo você vai querer se arriscar, nem que seja pra sofrer tudo outra vez só para poder ter a maravilhosa sensação do sentir.
...que você sempre vai concluir que valeu à pena, nem que seja por um único lado.
...que ter a consciência tranqüila é o que traz paz.
...que admitir seus erros é diferente de justificá-los.
...que a solidão pode afastar alguns tormentos, mas será sempre o meio mais distante da felicidade para qualquer ser humano.
...que amizade é amor, mas que amor nem sempre é amizade.
...que lembranças boas podem trazer sofrimento ou alegria, mas lembranças ruins trazem apenas tristeza, e o impedem de olhar em frente; e que diferenciar uma da outra pode ser decisivo para que uma pessoa cresça.
...que a frase ‘isso dói mais em mim do que em você’ pode ser real, mas apenas para quem ama com sinceridade.
...que apenas o fato de encontrar-se com um amigo de verdade possibilita a uma pessoa ter bases para tomar decisões, mesmo que não tenham trocado uma única palavra.
...que obsessão é o que antecede a frustração.
...que saber, em algumas situações não faz muita diferença.
...que escolher resume quase todas as dificuldades de uma vida.
...que a felicidade só é real a quem se entrega de verdade a tudo, mas que entregar-se de verdade a tudo não garante a felicidade.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Uma carta pra você
Embora eu nunca tenha negado carinho a você, acredito que essa carta vai ser uma daquelas surpresas que te deixam com uma cara de quem não entende...e logo depois, esquece. Mesmo assim, eu já não importo...sobre nós, eu não sei se ganhei, se perdi ou se ganhamos ou perdemos.
Não sei bem o que eu quero dizer...quero dar explicações, mesmo sabendo que você não tem curiosidade alguma a respeito das minhas atitudes. Nas vezes em que eu fui forte, foi por acreditar que eu era mesmo o melhor pra você...talvez mais do que você merecia ou melhor do que todas as outras que você conseguia. Nas vezes em que fui fria, foi porque eu já tinha sofrido com outras pessoas e, aprendi que os fantasmas não atravessam paredes, eles só entram se nós abrirmos a porta. Fui fria por medo ou precaução, e acho que isso até me ajudou um pouco.
Mas é claro, houve momentos em que fui doce. Aliás, foram os melhores momentos! Eu fui doce porque aprendi que não adiantaria nada ter conquistado você acima de tudo. Se eu tivesse sido mais rude, dura, talvez eu tivesse até conquistado seu amor. Mas acho que conquistar você não seria o bastante pra mim. Antes de ter o amor de alguém, eu quero amar, eu quis sentir, ao invés calcular passos pra ter você na minha mão. Essa parte, eu acho que você não percebeu...eu agi pra satisfazer a mim mesma antes de pensar em aprisionar você. E acho até que foi bom...
Quando fui insegura, foi porque apesar de saber o quanto eu valia, via que muitas outras queriam estar no meu lugar, e isso foi o bastante pra me incomodar. Além disso, você já tinha tanta experiência quanto à paixões e eu não sabia nada...você conseguiu ser frio ou racional o bastante pra me ter em mãos por alguns momentos.
Fiz o que achei que era certo e é por isso que não me fere mais não ter você. Aliás, a sua ausência não me dá pânico, me traz paz...mas é uma paz que eu dispenso se comparada à felicidade que sinto quando estou com você. É claro que eu queria que você fosse meu, mas se não é possível, eu já não perco o sono por isso, aprendi a conviver com algumas pendências.
Eu queria entender qual a vantagem de poder ter todas em mãos se nenhuma é considerada boa o bastante pra te fazer feliz.Os garotos parecem mesmo meio bobos nisso. De que adianta manipular todas se nenhuma vai fazer você sonhar? Ou se nenhuma vai passar tardes rindo com você, sem que você precise se preocupar em manter uma aparência legal?
Se você quer saber, acho que valeu demais. Valeu cada segundo que você, fingindo me fez feliz, porque, veja bem, você não viveu, eu vivi. Você mentiu, eu sorri. Eu sonhei, eu chorei, eu acreditei e me desiludi. Você tinha o controle da situação e eu não acho que isso seja algo desejável ou bom, pode ser, no máximo tranqüilizante. E é por isso que eu sou feliz: não há nada como ser fiel a si mesmo.
Com carinho...