sábado, 17 de maio de 2008

Felicidade

Já li sobre o “pequeno sabotador interno”. É mais ou menos aquilo que fala que estamos velhos demais pra usar determinadas roupas, que fala que estamos velhos para gostarmos de alguém, que faz com que sejamos duros com nós mesmos. Todo mundo tem um “pequeno sabotador interno” que não deixa que nós sigamos nosso coração e tomemos as decisões que queremos. Ele não permite que tiremos os dois pés do chão, não nos permite ir em busca dos nossos sonhos. Diz que não temos noção do ridículo.
Não tenho nem tempo de vida para muitas experiências que me mostraram a conclusão certa, mas o que vejo, o que me parece, é que as pessoas mais felizes são aquelas que não se prendem às pequenas coisas, que acreditam que sorrir é essencial acima de tudo e que acreditam na força de si mesmas. São os donos do seu próprio caminho, e ao mesmo tempo se apóiam em crenças que as fazem fortes. Independente do deus que escolhem para dar-lhes força, elas sabem que Ele existe e é verdadeiro. De onde tiram essa força? Como conseguem ser assim como uma rocha?
Segundo Sigmund Freud, somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro. A frase é magnífica. Só mesmo sendo de ferro para suportar tanta dor. Mas, além de ferro, o que as pessoas fortes mais usam para combater essa loucura do mundo, é o amor. Levam e trazem o sorriso das crianças e a segurança dos mais velhos. Têm problemas, mas os encaram sempre com a certeza da vitória. Não se entregam nem diante da pior dificuldade.
O que mais admiro, é que esse tipo de pessoa não é o que tem mais dinheiro, mais condições de enfrentar toda essa palhaçada a que somos submetidos pagando por melhores hospitais e escolas. As pessoas que não deixam “a peteca cair” são aquelas que sofrem em silêncio, num gesto de heroísmo esplêndido. São mães e filhos, Marias e Josés que batalham para ensinar a seus filhos que a dignidade vale mais, muito mais do que qualquer artigo material. São os esquecidos de Norte a Sul, os doentes, os analfabetos, os bóias-frias, os caminhoneiros. São órfãos de pais e de governos, é o povo sofrido que acredita na redenção.
As pessoas mais felizes quase sempre, são aquelas que têm menos. São os milhares de seguidores dos Antônios Conselheiros que existem. É o povo esquecido pelo próprio país, mas que ainda repete que Deus é brasileiro, em cada esquina.
Esse povo, sabotado externamente, aprendeu a matar o pequeno sabotador interno. Talvez seja por isso que conseguem sorrir e levar uma mensagem de esperança em cada gesto, em cada olhar. Talvez por isso confiam e ensinam seus filhos a confiar nos outros, mesmo sabendo de tanta traição. Talvez por isso, não permitem que os filhos fiquem com um lápis, uma borracha ou uma régua que não lhes pertence.
Vença seu sabotador interno. Se deixar que ele comande seus passos não será ninguém e nem descobrirá que apesar de tudo, a vida pode ser feliz. “Não diga que a canção está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida.Tente outra vez”.

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