domingo, 20 de abril de 2008

Prosa

Bem, hoje eu vou tentar descontrair...sei que não sou boa nisso, mas as emoções estão vindo ao meu encontro aos montes, e nem sei o porquê.
Há mil coisas sobre as quais gostaria de falar:da minha família,de preconceito, das tragédias que estão roubando a cor do nosso cabelo. Imagino que não vou falar de nada no final, mas é bom reservar tempo para uma boa prosa. E movida pela sensação de que essas últimas palavras me causaram, me vejo agora numa pracinha de cidade pequena, com flores, canteirinhos, vendedor de pipoca, crianças e namorados. Aquela paz que idealizamos.
Sei que o tema tem cansado, porque é um consenso geral e ninguém conseguiu resolver, mas estamos muito distantes do próximo e de nós mesmos, principalmente. Movidos muitas vezes pela preguiça, deixamos o tempo correr e assim, deixamos de ser atenciosos, carinhosos e amigos. E deixamos de ser nós mesmos, agindo mecanicamente, friamente.
Hoje passei momentos maravilhosos ao lado dos meus pais, irmãos e tios. No rancho. No começo, pra ser sincera, eu não queria ir. Tenho 16 anos e nessa “crise” muitos adolescentes dispensam esse tipo de programa em família. Quanto perdemos por isso é imensurável. No meu íntimo, eu preferia estar sentada em frente ao computador, usando o Orkut e o Msn, mantendo contato com pessoas que não me conhecem de verdade e que não estarão comigo nos momentos mais sérios.
Mas pensei bem e resolvi ir com minha família, talvez seria bom. E como foi. Confesso que em alguns momentos meus olhos se encheram de lágrimas ao ouvir meu pai falando apaixonadamente sobre sua paixão pela música e sobre como ele sente saudade de tudo o que viveu na juventude. E nesse momento eu imaginei de que vou sentir falta...das tardes de sol enquanto eu estava na Internet? Da minha seriedade? De tudo aquilo que impede que eu sinta a naturalidade e a vida propriamente dita?
Não! Eu quero suor, eu quero buscar meus sonhos, quero lutar para que eles aconteçam, quero dançar, agir, falar, sonhar! Quero gastar a minha energia; em sorrisos ou lágrimas, basta que eu me sinta viva e não simplesmente um robô. E finalmente eu quero curtir muito aquelas pessoas que são meu “tudo”. São aqueles que acreditam em mim, sem vacilar! Que me ajudam e estão comigo. Que dariam a vida por mim! Que sempre deram tudo de si para que eu fosse melhor, mesmo acreditando que eu já era perfeita!
Eu sempre tive personalidade e sempre fui muito ligada à família. Mas mesmo tendo essa mentalidade desde pequena, eu me notei um pouco distante e confusa. Confusa, sobretudo. Me apegando a aquilo que é dispensável e adiando o tato que nunca vai ser muito.
Perdoem esse texto completamente pessoal. Mas talvez sirva de exemplo...talvez sirva pra alguma coisa...para tentarmos resgatar o nosso sentimento. Até porque se não estivéssemos com o coração vazio, esses crimes horrorosos não estariam acontecendo.
Tomara que eu esteja errada, mas há aproximadamente um ano, nos assustamos com o “caso João Hélio”. E toda a sociedade condenou, chorou e rezou. Mas deveríamos ter feito mais. Talvez se tivéssemos ido mais fundo, não estaríamos agora nessa agonia, nesse medo e nessa depressão com o “caso Isabella”. Talvez teríamos sido competentes o bastante para evitar outro ... (não encontro palavra que defina o que houve).Imagino que outros casos continuarão a surgir. Peço que me mostrem que estou errada.
De nada adiantou o sofrimento de todo um país, há um ano. Porque já não vivemos num mundo em que “uma dor assim pungente não há de ser inutilmente” como cantou Elis Regina. Dores pungentes, gritantes, dilacerantes são inúteis agora.
Passe mais tempo com aqueles que você ama.

Um comentário:

Unknown disse...

Tão sutil e tão marcante na sua simplicidade.Uma simplicidade imersa numa sensibilidade que toca!
Uma garota, que já passou por tantas coisas, tão madura e tão moleca e sabe falar de sentimentos como poucos e tem uma virtude tão admiravel e que esta presente no texto. Esse amor pelos que estao a sua volta...Sua ligaçao coma familia e as pessoas que a cercam! Nunca perca isso, mesmo que o mundo, a sociedade, diga o contrário!


Beijo da amiga, irmã...
Marcella